Diário sem horas (2)

A delicadeza é um valor escasso, neste tempo em que quase tudo nos abalroa e irrompe olhos e ouvidos adentro, com a violência digna de um exército de hunos. Sabe bem descobri-la, subtil, num silêncio utilizado em lugar de palavras encarquilhadas, num gesto que se estende sem pressas ou na frase inicial de um livro escrito por alguém despreocupado com a “retenção da atenção do leitor”, esse cliché da escrita dita criativa ensinada por aí. Um alguém que nessas primeiras páginas escreva como quem gentilmente abre a porta de casa e aguarda, sem pressas, que o Outro entre, confiante na sua hospitalidade. E sabendo, como o Ulrich de Musil, que é o passo seguinte o mais importante.     

publicado por João Villalobos às 15:45 | link do post | comentar