Ou outra coisa qualquer

E afinal tudo isto o que é, senão outro princípio?  

Soçobraram estas memórias,

ou aguardam apenas a tão desejada,

adiada salvação?

Pisando a poeira caminhamos,

entre as folhas secas, num ruído manso.

 

Vacilamos sonâmbulos em noites de paludismo.

Prosseguimos, sem destino certo,

no balanço turvo do navio fantasma.

Já não separamos a mão esquerda da direita.

Muitas vezes,

nem um abraço consola a febre dos dias.

 

Haja essa tarde, outra vida elevada num sopro,

a árvore antiga elevando-se como um  pai.

Por ela subíamos até uma queda sem dor

e os amigo eram como ramos,

a quem nada se pedia excepto o indizível,

esse coruscante silêncio demasiado branco.

 

Não sei, não vi, o inominável que chegou sem aviso,

lento ou com a pressa dos que fazem sofrer.

Mas fingiu-se de tão quente, de tão íntimo,

que chegou convidado pelo medo a esta mesa,

aterrador comensal na sua face gelada…

Máscara de espelho, assassino manso.

 

Se houver outro princípio, então o sangue pulse

e o jogo da infância recomece.

Mas se for o fim, então fique o nada que resta.

Assim mesmo.

Só o que resta.

O reciclar dos detritos, da obra, dos corpos.

 

Não o definhar desta luz amortecida.

Não estas palavras, encarquilhadas ao nascer.

 

Ou outra coisa qualquer.

publicado por João Villalobos às 22:01 | link do post | comentar