Diário sem horas (3)

Em plena I Guerra Mundial, com mais exatidão no dia 26 de Janeiro de 1917 em Santa Maria la Longa, Giuseppe Ungaretti escreveu o seu poema Mattina: “M’illumino / D’immenso”. Comentá-lo seria escrever o óbvio. Difícil é vivê-lo, mas não impossível. Basta procurar esse momento de luminosidade que nos relembra o infinito apenas pressentido. Esses prolongados segundos que atravessam as frinchas do incomensurável. Mesmo cerceados pelo frio dos invernos ou feridos pelas batalhas que travamos, tantas vezes de olhos fechados. Sentir cada prova que nos é dada de existência. Cada manhã. Eis a condição primeira dessa imensa iluminação.

publicado por João Villalobos às 19:28 | link do post