O museu do futuro

Raoul Sevan

Pseudónimo do escritor de ficção científica francês Jules Roger de Parsac (1911-1984), cuja avó de origem arménia poderá estar na origem do nome de pluma (o lago Sevan, na Arménia, serviu de inspiração). Roger de Parsac nasceu em Paris e ficou órfão aos seis anos de idade, quando o pai morreu na batalha de Verdun, em 1917. Na década de 30, por razões financeiras, não concluiu o curso de Física, mas apenas o bacharelato. Talvez por causa da tragédia do pai, tornou-se num furioso pacifista e escreveu em jornais de direita, antes de integrar o último governo da III República, como membro dos serviços de propaganda chefiados pelo poeta Giraudoux. Em Junho de 1940, o que restava do Governo francês fugiu para Bordéus e, depois do armistício, seguiu para Vichy. Sevan integrou durante mais de um ano a administração do marechal Pétain, embora num papel menor. No final de 1941, regressou a Paris e teve contactos com a resistência, tendo participado na libertação da capital francesa, embora sem disparar um único tiro e na qualidade de enfermeiro auxiliar. Roger de Parsac chegou a estar ligado aos governos do pós-guerra, mas os seus problemas de saúde comprometeram a carreira na administração. Durante três anos, foi tratado a uma depressão que o impedia de trabalhar e chegou a estar internado num hospício. Quando ficou melhor, teve empregos precários e viveu em grandes dificuldades financeiras, até casar, em 1954, com Denise Gavarini, que o tratou até ao final da vida. Nessa altura, estabeleceu-se na periferia de Paris e tornou-se professor num colégio privado. No final da década de 50, incentivado por Denise, começou a colaborar com editoras parisienses, mas sob o pseudónimo de Raoul Sevan. Após a publicação de três novelas literárias, sem sucesso, tentou o policial e depois a ficção científica (FC), dois géneros que estavam na moda em França. Raymond Chandler, John Wyndham e Clifford D. Simak foram as suas referências literárias. Após abandonar o ensino, Sevan assinou 42 novelas de FC, incluindo l’Impardonnable Defaite, La Rupture e D’une Guerre à l’Autre. O seu trabalho mais conhecido é este O Patriota, escrito em 1965 e cujo original francês se intitulou Les Maitres du Pouvoir. O autor começou a escrever o texto após ver um filme americano, The Master Race. Foi esta a novela de Sevan que escolhemos para condensar na forma de folhetim, reduzida a um terço da dimensão original e segundo o método Reader's Digest. Neste texto, o autor tenta explorar a questão da eugenia e, de forma subtil, justificar o seu próprio passado, através da personagem do senador Severn. Ruby Rose é claramente inspirada na actriz de Hollywood Hazel Brooks, por quem Sevan tinha uma fixação neurótica. A acção da novela situa-se numa América imaginária, como era aliás típico da FC clássica francesa da época. Destaque ainda para os episódios oníricos, que certamente retratam o inferno pessoal do autor.

publicado por Luís Naves às 11:04 | link do post