Anatomia da insónia


Rasteja o rumor de fora
Pela casa adormecida.


Sinto pequenos dentes
A escavarem a noite
minando as muralhas
de pedra envelhecida.

 

Movo em vão o corpo
Na bruma doente, humedecida.
Viro-me de novo, lentamente
entre voláteis pensamentos
que deslizam no tempo
da madrugada vencida.


Ouço os curtos passos
Na hora amanhecida.
São outros infelizes
Que tal como eu faço
Esperam o sono docilmente
à espera da própria vida

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publicado por Luís Naves às 11:29 | link do post