Terça-feira, 07.02.12

Diário sem horas (2)

A delicadeza é um valor escasso, neste tempo em que quase tudo nos abalroa e irrompe olhos e ouvidos adentro, com a violência digna de um exército de hunos. Sabe bem descobri-la, subtil, num silêncio utilizado em lugar de palavras encarquilhadas, num gesto que se estende sem pressas ou na frase inicial de um livro escrito por alguém despreocupado com a “retenção da atenção do leitor”, esse cliché da escrita dita criativa ensinada por aí. Um alguém que nessas primeiras páginas escreva como quem gentilmente abre a porta de casa e aguarda, sem pressas, que o Outro entre, confiante na sua hospitalidade. E sabendo, como o Ulrich de Musil, que é o passo seguinte o mais importante.     

publicado por João Villalobos às 15:45 | link do post | comentar
Segunda-feira, 06.02.12

Diário sem horas (1)

Impõe-se darmos atenção a quem nos rodeia nestes dias difíceis. Que dediquemos verdadeiramente tempo a quem naufraga e àqueles que sobrevivem, apenas à tona ou caminhando milagrosamente sobre as águas. A quem nos estende a mão como aos que se afastam, nem pegadas na areia deixando para que possamos segui-los. Que com autenticidade as vejamos e olhemos à luz do meio-dia, nesses minutos sem sombra, a essas pessoas. Umas e outras. Porque cada uma delas é espelho em que nos revemos e voltaremos a rever, num qualquer momento previsto ou inesperado. Simétricas de nós e às tantas iguais.

publicado por João Villalobos às 11:58 | link do post | comentar | ver comentários (3)

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